Fraternidade Fria e Quente

Na reunião de hoje, quarta-feira dia 16/12/2015, homenageamos nosso irmão e professor pela elaboração desse texto tão relevante, e essencialmente reflexivo, em relação às autênticas fraternidades frias e quentes, principalmente na época festiva do natalina e final de ano.

Fraternidade Fria e Quente


Fraternidade Fria e Quente



Fraternidade é um valor tão sagrado que por si mesma deveria qualificar-se. Fraternidade deveria sempre ser fraternidade. No entanto, encontramos fraternidade muito pouco fraterna. E isso nos obriga a perguntar: “de que fraternidade se trata”?

Com efeito, há fraternidade fria e quente. A primeira é nominal, aparente apenas. Conformista e omissa, mistura de sentimentalismo com assistencialismo. Prolongamento psicológico de relações humanas, e tranquilizantes para a má consciência. A segunda é efetiva. Responsável e participante. Inconformada perante o mal e criadora de soluções. Nutre as raízes da convivência fraterna e busca a circulação da dignidade humana em todas as dimensões. Instaura a crítica da sociedade para distinguir as situações autenticamente fraternas das que não a sejam.

Fraternidade fria contenta-se com enunciados e proclamações sobre o amor fraterno. Fraternidade quente esforça-se por criar formas existenciais de vida fraterna. Alguém no passado disse: “o que importa não é proclamar bem alto que a caridade é tudo na vida. Importa é saber efetivamente parar no caminho para socorrer os outros”.

Fraternidade fria aceita a existência do irmão em qualquer situação. A fraternidade quente não consegue reconhecer a face do irmão nas deformações sociais e retoma a interpelação do G.’. A.’. D.’. U.’. a Caim: “onde está teu irmão”?

A fraternidade fria acomoda o homem a situações desumanas. Anestesia a pessoa para que tolere condições injustas e humilhantes. Fraternidade quente levanta a consciência do homem para que não se dobre e procure libertar-se das situações degradantes.

Fraternidade fria consola os desempregados, famintos, doentes e injustiçados. Fraternidade quente luta por arrancar o irmão do desemprego, da fome, da doença e da injustiça.

Fraternidade fria promove campanhas de amor fraterno, mas considera natural que posseiros sejam despejados e despojados. Fraternidade quente exige que o direito de ser homem fale mais alto do que a ambição do mais forte.

Fraternidade fria alega que a preocupação com problemas sociais é sociologismo, demagogia e abandono da religião. A fraternidade quente considera que essa preocupação deriva estritamente das exigências do evangelho, pois Cristo veio salvar o homem todo e fraterno que não é só o espírito, mas também o corpo, o homem em todas as suas dimensões.

A fraternidade fria está mais preocupada em manter e salvar interesses pessoais do que fazer irmãos. A fraternidade quente procura antes de tudo fazer irmãos, mesmo com o sacrifício de vantagens pessoais.

Fraternidade fria leva a humanidade a suportar um mundo violento, imoralmente desigual, sem modificá-lo. Fraternidade quente é um apelo à transformação da sociedade, a fim de que os homens possam realizar-se pela palavra, pelo trabalho e pelo relacionamento interpessoal.

Fraternidade fria abandona o esforço, alegando que os problemas são grandes demais. Fraternidade quente não deixa de fazer o pouco que pode ser feito, mesmo que não consiga fazer tudo que precisaria ser feito.

Fraternidade fria é apenas mais um produto de consumo, à semelhança da “Pepsi-Cola”. Fraternidade quente faz do amor fraterno um movimento consciente e criador em que o homem se afirma como linguagem original.

Fraternidade fria vê o mundo dos miseráveis como uma história separada.

Fraternidade quente vê o mundo da miséria como história unitária. Todos são solidários na esperança, na fé, no pão, na palavra e na libertação, e também na angústia, no desespero, na fome, na tortura, no sofrimento e na ruína.

Fraternidade fria reparte o ódio congelado como se fosse amor. Fraternidade quente não faz acordo com o ódio, procura eliminá-lo totalmente.

Fraternidade fria engraxa as algemas para que não machuquem os pulsos dos escravos e oprimidos.

A fraternidade quente parte as algemas para que os homens possam levantar as mãos cheias de esperança, caminhar com a liberdade dos filhos do G.’. A.’. D.’. U.’.  e abraçar-se com a alegria dos irmãos de Cristo.

Portanto, aqui fica o pouco que nada sei.

(Autoria: Ítalo José Bocchino – Nascido em Curitiba,PR. Professor aposentado, formado em Ciências Contábeis e Filosofia Pura)

O Grupo Fraternidade EMC agradece a belíssima peça arquitetônica que adorna nossas almas.

* Responsabilidade escrita, revisão, edição – Discípulo Elias

* Digitação, revisão – Patricia Kelly Hasselmann


Fraternalmente,

 

Grupo Fraternidade EMC.

Trabalhando Por uma Humanidade Mais Feliz!

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